Nesse artigo serão abordados dois temas importantes para os pais especialmente de crianças pequenas fiquem atentos aos principais sinais.
1. Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV)

É uma condição imunológica que afeta uma parte significativa da população infantil. Caracteriza-se por reações adversas à proteína do leite de vaca que é mais frequentes nos primeiros 12 meses de vida, mas que pode se manifestar em diferentes idades.
Definição e Epidemiologia
A APLV é uma reação alérgica a proteínas do leite de vaca, sendo mais comum em lactentes (crianças na fase de amamentação) e crianças pequenas. Estudos indicam que sua prevalência varia de 2% a 3% em lactentes, diminuindo à medida que a criança cresce.

Dra Marcelle Sanches é especialista em atendimento pediátrico
Opniões sobre a Dra Marcelle Sanches







Classificação das reações
As reações alérgicas podem ser classificadas como:
Imediatas: Ocorrem minutos a horas após a ingestão, mediadas por IgE.
As reações imediatas geralmente são mais graves e podem causar reações como:
- Urticária (Irritação na pele e caracterizada por lesões avermelhadas, inchadas e coceira intensa)
- Angioedema (Inchaço de áreas de tecido subcutâneo que pode afetar o rosto e a garganta)
- Broncoespasmos, coriza, rinite e tosse
- Vômitos em jato
- Diarreia
Tardias: Ocorrem horas a dias após a ingestão, não mediadas por IgE e podem causar, por exemplo:
- Refluxo gastroesofágico
- Cólicas
- Constipação
- Sangue nas fezes
- Baixo ganho de peso e crescimento
Diagnóstico
O diagnóstico de APLV deve ser clínico com a confirmação por meio de testes cutâneos, dosagem de IgE específica e, quando necessário, dietas de exclusão e reexposição.
É recomendado a realização de uma anamnese detalhada e em caso de dúvidas a realização de testes laboratoriais apropriados.
Tratamento
- Exclusão da Dieta: O único tratamento disponível no momento para pacientes é evitar e isto nem sempre é uma tarefa fácil sendo muitas vezes necessário uma orientação nutricional diferenciada. Alimentos industrializados com frequência contêm proteína do leite que passa desapercebida, por isto educação e treinamento são essenciais para restringir, de forma criteriosa, os alimentos que contêm proteínas do leite de vaca.
- Alternativas: O uso de fórmulas hipoalergênicas (hidrolisadas ou aminoácidos) é recomendado para a nutrição adequada da criança.
- Acompanhamento: Monitorar o crescimento e desenvolvimento da criança, além de realizar reavaliações periódicas para verificar a possível tolerância ao leite.
Reintrodução do Leite
A reintrodução do leite deve ser realizada sob supervisão médica, preferencialmente após os 12 meses de idade, utilizando um protocolo seguro para minimizar reações adversas.
APLV x Intolerância à lactose
É fundamental entender a diferença entre esses dois assuntos que parecem semelhantes, porém tem causas e tratamentos diferentes.
APLV
Já mencionamos no início do artigo, mas vale reforçar que o APLV é uma alergia à proteína do Leite de vaca e ocorre quando o sistema imunológico da criança reage a certas proteínas contidas no leite de vaca gerando sintomas alérgicos.
Geralmente a APLV ocorre antes do primeiro ano do bebê.
Intolerância à lactose
Já a intolerância à lactose ocorre quando o corpo não é capaz de digerir a lactose presente no leite de vaca. É causada pela incapacidade de digerir o açúcar encontrado no leite de vaca (lactose) sendo muito rara em crianças menores de 5 anos de idade.
É importante mencionar que a lactose é o açúcar do leite e é um valioso carboidrato presente no leite materno que proporciona muitos benefícios aos bebês.
É comum ao ouvirmos falar de açúcar pensar em algo ruim, porém a lactose, que é um açúcar saudável, é fundamental para o funcionamento do cérebro e desenvolvimento do corpo do bebê.
2. Diarreia em Crianças
A diarreia é um problema comum em crianças, sendo uma das principais causas de morbidade e mortalidade na infância. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a diarreia pode ser classificada como aguda ou crônica e pode resultar de infecções, intolerâncias alimentares, entre outros fatores.

A morbimortalidade por diarreia aguda, apesar de estar em declínio no mundo ainda é causa importante determinada por infecções em crianças menores de cinco anos de idade.
Fatores de risco como a desnutrição, oferta inadequada de saneamento e água potável, falha nas medidas educacionais para a saúde devem ser considera dos.
Episódios repetidos podem ocasionar atraso no crescimento/desenvolvimento e déficit nutricional.
Definições
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define diarreia aguda como “a mudança do hábito intestinal caracterizada pela ocorrência de eliminação de três ou mais evacuações menos consistentes ou líquidas” por dia, com duração de até 14 dias.
Alguns autores consideram como diarreia aguda prolongada aquela que apresenta duração entre 7 e 14 dias, podendo indicar a necessidade de investigações. Após este período, passa a ser referida como persistente, a qual pode ser classificada em leve, moderada e grave, exigindo cuidado especial e monitoramento dos pacientes.
A diarreia com duração superior a 30 dias, é denominada crônica.
Causas da Diarreia em Crianças
- Infecções Virais: Os vírus, como o rotavírus, são as causas mais frequentes de diarreia aguda em crianças. Essas infecções costumam ser autolimitadas, mas podem levar à desidratação.
- Infecções Bacterianas: Bactérias como Salmonella e Escherichia coli podem causar diarreia severa, geralmente associada à ingestão de alimentos contaminados.
- Intolerâncias Alimentares: A intolerância à lactose e alergias alimentares também podem provocar episódios de diarreia.
- Outros Fatores: Estresse, mudanças na dieta e uso de antibióticos podem contribuir para a alteração do trânsito intestinal.
Sintomas Associados
- Fezes líquidas frequentes
- Dor abdominal
- Náuseas e vômitos
- Febre
- Sinais de desidratação (boca seca, diminuição da urina, letargia)
Diagnóstico
O diagnóstico da diarreia em crianças é geralmente clínico. A avaliação inclui:
- História médica detalhada
- Exame físico
- Exames laboratoriais (se necessário) para descartar infecções bacterianas ou parasitárias.
Tratamento
- Hidratação: A reidratação é a principal prioridade. Soluções de reidratação oral (SRO) são recomendadas para prevenir a desidratação.
- Dieta: Após a reidratação, uma dieta leve e equilibrada deve ser introduzida gradualmente.
- Medicamentos: Antidiarreicos geralmente não são recomendados em crianças, exceto em casos específicos sob orientação médica.
- Cuidados com a desidratação: Monitorar sinais de desidratação e buscar atendimento médico se houver agravamento dos sintomas.
Prevenção
- Lavar as mãos regularmente, especialmente antes das refeições e após usar o banheiro.
- Garantir a higiene na preparação de alimentos.
- Vacinação contra rotavírus, conforme as orientações do calendário vacinal.
- Disponibilização de saneamento básico, oferta de água potável, educação familiar e oferta do soro de reidratação oral (SRO), além do estímulo à amamentação por um período mais prolongado
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Referência